domingo, novembro 01, 2015

Mas quem será a mãe das crianças




Parte de uma história “normal”, onde encontramos dois irmãos gémeos meio perdidos entre as suas brincadeiras tipicamente (nem tanto da nossa actualidade) de crianças, no exterior da sua moderna e grande casa no meio do campo, e o regresso de uma mãe irreconhecível, em todos os sentidos, após uma cirurgia facial.
Depois, “Goodnight Mommy” ,"Ich seh, Ich seh" (título original – qualquer coisa como um mais interessante “eu vejo, eu vejo”, a remeter-nos para a revelação final e o confronto dos sentidos ver/sentir), da dupla austríaca semi-estreante Severin Fiala e Veronika Franz e que teve estreia por cá na mais recente edição do IndieLisboa, passa por uma fase de obsessão daquelas crianças para essa ideia inicial de que aquela mulher não é a sua mãe. Esta revela-se perante o telespectador também como uma estranha, sobretudo (estranhamos) quando tem um comportamento tão diferenciado perante cada um dos seus dois filhos.
Há uma atmosfera de suspense, um quase thriller psicológico que nunca chega a ser propriamente concretizado ou visionado, nem no seu clímax. Há antes uma opção típicamente herdada pela “escola austríaca”, aka Michael Heneke, de revelar o terror pelo seu lado mais cru e macabro: a tortura física. Sem rodeios, sem auxílio a uma banda sonora, sem sustos, sem histerismos.
Este filme é tudo isso: terror mudo, em todo o seu esplendor, brutal, inteligente e magnífico.

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